quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Moçambique ... Ponta do Ouro a Xai-Xai




Na 1º semana fomos para o Sul … Ponta do Ouro e Ponta Malongane… Estrada a restaurar pois encontra-se com muito mau acesso … são 100 km de penar que os Moçambicanos de Maputo não merecem fazer, especialmente quando sabemos como são bons, os da vizinha Suazilândia e África do Sul…


Local idílico que de momento está a levar um forte investimento no turismo…





Apesar das dificuldades em chegar e do imenso esforço que fizemos durante toda a viagem para não sermos "catapultados" da "Pick-Up" nos solavancos constantes do passeio, foi uma viagem para nunca mais esquecer. Muito mau caminho mesmo, mas ... Não faz mal, pois tudo o resto valeu a pena!



Bom, de volta a Maputo e depois da semana que passamos no Sul, continuamos a constatar que ainda guarda ares de cidade do interior. Todos se cumprimentam na rua, chamam qualquer estranho de macueso (irmão, "brother" em xangana, o dialecto local) e a vida passa devagar…






Mais uma vez constatámos que se come muito bem em Moçambique. A culinária local mistura as raízes africanas com influências portuguesas - com direito a fortes sotaques hindu e muçulmano. Essas últimas são herança dos tempos de comércio intenso entre indianos, árabes e a população Bantu, que habitava a região quando Vasco da Gama atracou no país, em 1498.

Para provar essa mistura de sabores, fomos desta visitar a Feira Popular, na Avenida 25 de Setembro. O lugar é extremamente modesto, mas serve ótima comida. A grande surpresa da feira, porém, o melhor negócio em se tratando de culinária moçambicana é deitar e rolar saboreando a fartura de frutos do mar. Fresquíssimos, geralmente são servidos grelhados, temperados com limão e um pouco de pimenta (que atende pelo nome de piripíri) ou um pouco de curry.Pinga, na Feira Popular , o Restaurante Coqueiro, especializado na cozinha moçambicana, o Restaurante 1908 (Eduardo Mondlane) tem decoração colonial.Petiscos e peixes grelhados no Mundo's (Julius Nyerere com Eduardo Mondlane), onde também tomámos diversos café-da- manhã. O Manjar dos Deuses (Julius Nyerere) tem pratos portugueses, com toques da criatividade africana.

Tão quente quanto o tempero local é a noite de Maputo.

A dança dá base da "passada", uma mistura de lambada com forró um pouco menos acelerada. Não se assuste se for convidado por um estranho - ou estranha - para dançar. A paquera rola solta, e os mulungos, como você e eu (calma, esse palavrão quer dizer apenas branco, ou estrangeiros em geral), dificilmente escaparão de cantadas e olhares curiosos. Ainda mais se descobrirem que se é português. Eles adoram-nos e costumam dar boas risadas .


Mas para chegar a paraísos como Bazaruto, Inhambane e Beira, é necessário de novo por-mo-nos em marcha na "pick-up"4X4.




Mas mais uma vez chamo a atenção que a cidade tem bons motivos para ser tratada como algo mais que um ponto de passagem.

As redondezas de Maputo também reservam boas surpresas.

Seguimos no sentido Noroeste até às praias do Bilene e de Xai-Xai, que são duas das praias mais famosas de Moçambique. Duas estâncias balneares conhecidas pelos fins-de-semana das gentes de Maputo que pela proximidade escolhem estas bonitas praias para os seus dias de descanso.




A praia do Bilene, é uma bonita praia de areia branca numa espécie de ria que contém apenas um acesso ao mar. Por esse facto a água não é tão salgada como no mar e tem mesmo uma tonalidade diferente.

É uma praia bastante bonita, mas que no fundo não me agradou muito, pois não sou muito adepto deste tipo de praias em rias, lagos ou rios...


A alguns quilómetros fica a praia do Xai-Xai, uma localidade que atravessamos no caminho para a praia, onde nos encontrámos com a Margarida (filha da Margarida e do Pedro Lopes Alves) e da sua amiga Maria João , que lá se encontravam numa Missão

A praia é bastante bonita e interessante pois uma espécie de recife protege a praia da ondulação marítima tornando-a bastante calminha. Grandes banhocas e uns camarões fritos espectaculares refrescados por uma cervejinha bem fresquinha…hummmm

Uma verdadeira praia de mar que convida...



O rio Limpopo passa ao lado da cidade numa extensa e verdejante Planície, onde se cultiva o arroz.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Terras de Sonho





Moçambique localiza-se na Costa Sudeste do Continente Africano, estende-se no sentido Norte - Sul voltado para o Índico com que se confronta ao longo de 2515 Km de linha de costa.

Eu, que não nasci nem tenha muita gente à minha volta que tenha nascido em Moçambique, tinha bastante curiosidade lá regressar pois quando por lá tínhamos passado anteriormente não deu para ver nem um vigésimo do que Moçambique tem de bonito.

Não sei se algum dia teria possibilidades de lá regressar, por isso não hesitei em aceder ao desafio que tenho desde pequenino, quando lia as aventuras das caçadas de Henrique Galvão e mais recentemente nos “Ventos de Destruição” de Adelino Serras Pires, de vir a conhecer o afamado Parque Nacional da Gorongosa.

De todas as viagens que fizemos, esta foi sem dúvida aquela em que mais interesse tínhamos, não só pela amizade férrea que lá temos… Bio e Lola… como pela forte vontade do regresso ao paraíso


A coisa que eu mais gosto na vida é estar na estrada, viajando a esmo, escolhendo ao acaso meu próximo destino. Não posso fazer isso com muita frequência, por isso fotografo o que é possível.

O que não é possível, guardo na memória ou tento descrever.

À chegada à Capital, Maputo, deparámo-nos como costume com a generosidade e alegria daquele povo de sorriso fácil e franco.

Para quem pensa que os portugueses são apenas mais uns turistas em Moçambique, desengane-se.... Os Moçambicanos gostam do nosso povo e distinguem-nos à distância de um olhar o que nos faz sentir em casa e, muitos portugueses, apesar de tudo, gostam de regressar à terra que os viu nascer e recordar todos os bons momentos ali passados.



O Mercado Central de Maputo está bem abastecido de simpatia,
mas também, obviamente, de fruta, legumes e de uma grande variedade de produtos enlatados, a esmagadora maioria proveniente da África do Sul. Desde manhã cedo que há maningue gente a percorrer os corredores entre as bancas, onde sobrevivem balanças que dariam belas peças de museu. E uma variedade infindável de artesanato proveniente de todos ao pontos …



Em matéria de mercados, há outro lugar incontornável na capital moçambicana, o mercado do peixe, assim popularmente designado já que toda a gente o desconhece pelo seu outro nome - “A luta continua”.

Um cenário popular por excelência: apelos de vendedoras e vendedores, mares de amêijoa e graúdos espécimes piscícolas arrancados aos submarinos viveiros do Índico, pesos e contrapesos, com terceiros a desfazer a dúvida, cantorias daquela lógica de mercado “o meu peixe é maior que o teu”.

O tamanho, conta, sim senhor, mas a prova dos nove é da competência das papilas gustativas.

Queira o cliente e não há razão para perdas de tempo: ali mesmo, ao lado, uns quantos restaurantes ao ar livre dão trato à peça, mediante o pagamento de uma taxa de serviço. Em menos de um ápice, entre laurentinas e laurentinas geladas, era uma vez um peixe, uma lagosta, um cesto de camarão-tigre.

Em relação à alimentação, para quem gosta de marisco como eu, é óptima.... marisco e peixe ao almoço e jantar e não pensem que é um luxo que não é.

É tão normal como comer um bitoque ou qualquer outro prato.


E o caril de amendoim e os “Achares” que por lá abundam!!!

Eu fiquei sempre fã da Costa do Sol, que dizem que era e continua a ser um dos melhores restaurantes…mas desta vez experimentamos o Marlin, no Clube Marítimo, e… paciência mas está fenomenalmente dirigido pelo amigo Celestino e mulher que trouxeram a diferença na restauração local … parabéns aos habitantes de Maputo…


Não existem praias cheias de gente como no Algarve, não existem praias "menos bonitas".... existem sim, praias magníficas areia branquinha e de água quente.